sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Romance de uma conspiração


Recebi, há dias, um curioso telefonema.
Era uma voz que, como qualquer profissional experimentado com facilidade detectaria, estava a ser transmitida por meio de um aparelho scrambled.
E que dizia a voz?
A voz, com o estranho tom metálico da distorção electrónica, dizia: “Filbi? É para o avisar que, no dia 20, é lançado na livraria Barata da Av. De Roma, o livro de João Paulo Guerra intitulado “Romance de uma conspiração”.
Quando pedi ao meu interlocutor que se identificasse, ele respondeu: “Não posso. Isto é uma gravação”.
Bom, como não vale a pena conversar com uma gravação, desliguei.
Mas fiquei a matutar no assunto: de quem seria a misteriosa voz?
Primeiro, pensei que era o Donovan, um rapaz do meu tempo, residente em Langley, Virgínia, que sempre foi muito dado a folguedos e embustes mas incapaz de usar equipamento do serviço para fins não profissionais. Não, não era o Donovan que, além de tudo, fala português com o sotaque de Timor-leste, por onde andou, metido em confusões, aqui há uns anitos.
Quanto ao nome do autor do livro, João Paulo Guerra, claro que o conhecia já.
Mas, em benefício do meu isolado leitor, que pode não ter, como eu tenho, fontes de informação reforçadas, aqui fica a o perfil wikipédico.
O conteúdo da obra, ainda não o conheço; cheguei a pensar em comprá-lo mas, depois do PEC III, achei mais judicioso esperar pelo evento do dia 20, na esperança de sacar um exemplar à borla (e, se possível, com o autógrafo do autor).
De qualquer modo, se o livro de João Paulo Guerra for tão bom como os anteriores, é, pelo menos, excelente.
Por outro lado, por deformação profissional, se me falam em “conspiração”, sou incapaz de resistir ou mesmo de disfarçar as reacções fisiológicas: ponho-me a salivar abundantemente, fico com as palmas das mãos suadas, tenho tonturas e não descanso enquanto não esclareço a coisa.
De modos que lá estarei, no dia 20, na Barata, atento e discreto, com deve ser.
Não tentem identificar-me, é tempo perdido: tanto posso ser a senhora de idade, de bengala e carrapito sentada na terceira fila, como o jornalista da téle-visão, de corneto em riste, estridente e agressivo.
Nós somos assim, camaleónicos.

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