quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Regressei de Hanoi


Perambulei, durante quase três semanas, pelo Sudeste Asiático, zona do mundo cujas convulsões constituíram, durante muito anos, o centro de grandes preocupações minhas e de enorme número de colegas das mais variegadas proveniências.
Há muito anos que não visitava nem a Indochina nem a Cochinchina.
Achei-as diferentes, mais mcdonaldizadas, tur-massificadas.
Um amigo, que muito prezo, chamou a minha treinadíssima atenção para a grande concentração de “calmeirões do Minnesota” , designação sob a qual agrupa todos os avantajados, ruidosos e infantilizados jovens provenientes dos USA e a quem, invariavelmente, deseja sorte semelhante à que os seus homólogos tiveram, há 40 anos, no Hanoi Hilton. Mas sempre houve uma melhoria, e os “calmeirões” de hoje já não ostentam fardas nem arcabuzes e não chegam de B-52.
Percorri o roteiro nostálgico que os homens (e mulheres) ma minha geração aqui cumprem. Visitei Danang, Hué e os túneis de Co Chin (falhei Dien Bien Phu), notei a iconografia do tio Ho, visitei o Hotel Rex e, claro, o Mausoléu de Nguyễn Sinh Cung.
Sobretudo em Saigão, acontecia que, de vez em quando, arrebatado pelos memórias (e, talvez, por um biquinho de senilidade) lançava rápidas miradas panorâmicas, esperando ver alguma cara conhecida, um gesto denunciador, uma atitude suspeita.
Mas, dos tempos exaltantes em que os Povos do Mundo cerravam fileiras à volta de Hanoi, só restam os fantasmas da memória e a versão já petrificada em linguagem de guia turístico.
Trouxe, para os netinhos, chapéus cónicos, sandálias de borracha de pneu e t-shirts com a efígie de Ho Chi Minh.

Sem comentários:

Enviar um comentário