domingo, 24 de outubro de 2010

Palavras para quê? É um espião português!


"A Percival Aircraft Company contrata Ernesto Simões a pedido da contra-espionagem. É uma forma de controlar a eficácia dos serviços e, por outro lado, de apreender o modus operandi e os contactos dos agentes do Eixo no Reino Unido. No dia 16 de Agosto o mecânico aluga um quarto e a 19 de Agosto (no dia em que Liddell dita à secretário esta nota) começa a trabalhar na fábrica de aviões.
O comportamento de Ernesto Simões intriga os serviços secretos britânicos. Kim Philby, que o conheceu num pub (e o aprresentou a Guy Burgess), desvenda o mistério, em 1968.

Hospedou-se em casa de um casal; o marido trabalhava na mesma fábrica. Montámos um esquema para vigiar os seus movimentos e interceptar a sua correspondência.
No espaço de poucos dias, Simões adoptou um comportamento que manteve até ao fim. Quando a sirene tocava, saía da fábrica com o senhorio e confirmava a sua entrada no pub mais próximo. A seguir, corria a pés juntos para casa. Só voltava a dar sinal de vida na manhã seguinte, para regressar à fabrica com o senhorio. Tentámos perceber a razão da sua pressa para chegar a casa. Uma investigação mais aprofundada permitiu uma explicação completamente satisfatória. Todas as tardes, ao chegar a casa, deitava a senhoria debaixo da mesa da cozinha (os vigilantes clandestinos teriam dificuldade em vê-los. Comia uma refeição apimentada e ia para a cama. (In Kim Philbie, My Silent War, the Autobiography of a Spy, Groove Press, Nova Iorque, 1968)

O espião é vulnerável: dinheiro, sexo e emoções. Só não age por ideologia… "


Araújo, Rui, O Diário Secreto que Salazar Não Leu, pgs. 117/118 , Ed. Oficina do Livro, 2008

Comentário: Espião nazi, em Inglaterra e, mesmo assim..., só pensava naquilo.

Sem comentários:

Enviar um comentário