sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O hábito que faz o monge

Li hoje aqui, no conceituado quotidiano “Público”, a notícia de que o Sindicato Nacional da Polícia se prepara para arrestar os bens da Direcção Nacional da PSP que não tem, por falta de liquidez, sublinha o jornal, pago os subsídios de fardamento.
Eu saúdo, daqui, os combativos sindicalistas.
Não há nada de mais deletério para a ordem pública do que um senhor Guarda mal ataviado.
E se o senhor Ministro das Finanças persiste na sua implacável demanda de frugalidade, arriscamo-nos a ver, em breve, os guardiões da Ordem de aspecto andrajoso, patrulhando as ruas das nossas cidades de chinela havaiana presas nos dedos dos pés, camisas de botões pendentes e cassetetes a esconder largos rasgões nas pantalonas azuis.
Lembram-se do que aconteceu quando cortaram aos diplomatas o “subsídio de casaca”? Assistimos a cenas terríveis de Embaixadores a terem que disfarçar com as condecorações os buracos dos fatinhos coçados para serem recebidos por cabeças coroadas! E estou em condições de revelar que pelo menos um diplomata, águia entre as muitas águias daquele corpo de excelência(s), deixou de frequentar coquitéis quando a sua única camisa branca começou a apresentar colarinhos e punhos a desfiar.
Por estes caminhos, o que impedirá o Governo de preparar ataque semelhante ao Serviço? Que acontecerá se, amanhã, um ukase semelhante cair sobre aqueles dedicados profissionais e lhes for negado o módico subsídio de gabardine? Sem este imprescindível artigo, como poderão os soldados secretos da Pátria dissimular-se entre as massas populares ou infiltrar o INimigo?
Que responda quem puder.

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